Sábado, 20 de Março De 2010

Capítulo 14- Os telefones chamam tristezas

Depois de toda aquela sujeira e alvoroço decidi tomar um banho bem quente para relaxar. Afinal, era sábado de manhã, eu estava sozinha em casa, sem ninguém para me irritar. Aquele dia seria perfeito de qualquer jeito!
Corri para o banheiro animada. A banheira estava lá, olhando pra mim com cara de "eu estou tão quentinha *-*". Já mergulhava meu pé no paraíso quando o telefone tocou e esbravejou desesperadamente.
-Alô. - atendi, com tom de "eu estava feliz até você ligar".
-Até que enfim! Ah, meu bem, tentei ligar o dia todo- disse mamãe, com um tom estranhamente amoroso.
-Mas são 10 horas da manhã!- esbravejei, tentando quase que desesperadamente fazê-la irritar-se comigo.
- Eu sei meu anjo, é que...- falou ela, com tom pesaroso.
A única coisa que fazia mamãe ser simpática comigo, era uma grande e triste TRAGÉDIA.
Estremeci. Algo havia acontecido...
-Meu bem, não sei nem como lhe dizer isso..
-Fale logo mamãe!
-Bom, seu irmão.. ahn, ele está desaparecido!- falou bem rápido, tentando diminuir o choque.

Não funcionou.

publicado por cinderelashakespeariana às 00:28
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Capítulo 13- O sapo assassino

 

Toda princesa tem seu momento de glória. Eu tive o meu, e acredite, daria anos da minha vida em troca de mais um beijo daqueles.
É claro que a vida de princesa pobre e ainda por cima desastrada, não é lá essas coisas... Minha sorte ja estava grande demais, e eu tinha certeza de que nada sairia tão bem assim.
Decidi ficar em casa com minhas pantufas de porquinho, meu pijama listrado com rosa bebê, e meus rabinhos no cabelo. Tudo isso acompanhado pelo frio e uma imensa xícara de chocolate quente. Aquele seria o meu dia!
Não havia mais ninguém em casa além de mim e Boris, meu cachorro. Todos estavam viajando a trabalho, e no caso do meu irmão Rodrigo, fingindo estar viajando a trabalho.
Me acomodei no sofá enrolada em um cobertor quentinho e macio. Já trocava juras de amor com o controle remoto quando um barulho surgiu vindo da cozinha. Levei um susto tremendo com a barulheira que Boris armou. Resultado: meu chocolate quente derramou em cima de mim, que acabei me queimando e no susto, me enrolei no cobertor e fui parar no chão frio da sala.
Boris passou ao meu lado perseguindo um pequeno sapinho sapeca. Acho que o pobrezinho virou comidinha.
Meu dia havia começado bem!

...mal, é claro!
publicado por cinderelashakespeariana às 00:26
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 18 de Março De 2010

Capítulo 12- Ilusão


 Fui entrando lentamente pelo salão. Lá estava ele, lindo como sempre. Senti medo, raiva, dor e arrependimento, tudo ao mesmo tempo. Aquela fora a primeira vez que um homem havia me chamado para sair. Teria sido perfeito, se eu não tivesse estragado tudo. Como sempre.
Tentei tomar coragem, mas no fundo sabia que seria injusto comigo e com ele, se o beijasse por medo de perdê-lo. Sabia também, que a pressão estragaria tudo. Decidi ser sincera. As palavras do "irmão urso" ainda ecoavam dentro da minha cabeça.
Corri até Leo. Sem pensar no que estava dizendo, fui jogando palavras ao ar, tentando aquela velha técnica do "vamos ver no que vai dar".
Respirei, inspirei e sem olhar nos seus olhos, segui para meu sepulcro:
-Vou ser sincera com você. É o primeiro com quem eu saio, e talvez até o primeiro por quem eu me apaixone. E como já disseram muitos poetas, o amor não se constrói sobre mentiras e dúvidas. Eu nunca beijei na minha vida. Sério, nunca mesmo. Nunca, nem ursinhos nem bonecas. E eu fico nervosa e suo frio. Não quero fazer isso agora, acho que não estou pronta. Desculpe.

Uma gargalhada irônica ecoou pelo ar, cortando meu momento de desabafo amoroso. Reconheceria aquela voz de bruxa em qualquer lugar. Era Bety.

-Pobrezinha! A princesa desajeitada se apaixonou! - gritou em tom de deboche.

Aproximou-se do meu príncipe encantado e o beijou animadamente.
Fiquei perplexa. Não entendia nada.
-O que.. o que ?- gaguejei.

-MEU NAMORADO! - disse declaradamente a nova bruxa do 71.
Um ódio misturado com orgulho ferido tomou conta de mim. Sentia dor e raiva por ter sido boba. Era óbvio. Tudo estava perfeito e isso vai contra todas as leis do meu mundo. Senti como se tivesse caido do céu, em um concreto duro. Doía, e muito.

-Ahn, espera Cindy! Eu não queria...- disse Leo nervoso, tentando explicar-se.
-Não queria ter me enganado? Não queria ter me feito de boba? Não queria ter sido cumplice dessa bruxa horrorosa? Que bom pra você. Conviva com sua consciência. Monstro!- disse eu, desabafando e caindo no choro.

Fui embora correndo. Desejei sair dali o mais rápido possível. Aquilo tudo que me parecera no inicio um conto de fadas, agora não era nada além de um conto de bruxas. Ou talvez, eu fosse a personagem errada.

Meu coração chorava. Me sentia traída, mesmo sem ter tido nada de concreto com ele. Senti como se já o conhecesse e havia até sofrido um pouco pela indecisão desse novo amor. Era como ter sido apunhalada pelas costas, por minha pior inimiga. Sentia-me destruída, acabada e envergonhada.

Joguei-me na calçada e fui tirando aos poucos a fantasia de urso.

-Então esse é o momento em que a lagarta se transforma em borboleta?- disse uma voz conhecida, mas ainda não identificada.
-Acho que a borboleta nasceu sem asas.

-Ora, que isso?! Vejo duas lindas asas coloridas aqui. As mais lindas.

Então, sentou-se ao meu lado. Levantei os olhos em sua direção.
A pele branquinha e aqueles olhos escuros tão misteriosos...Como eu esqueceria deles? Era o "irmão urso", sem o urso, dessa vez.
Delicado e atencioso. Era realmente encantador. Foi só então que percebi que ainda não havia perguntado seu nome.

-Ahn, Richard. Prazer.- disse ele sorrindo, como se tivesse lido meus pensamentos.
-Cinderela.- respondi sorrindo.

-Ah! Cinderela dos meus contos mais tristes!- cantarolou.
-Nossa, você canta mal hein?!

Caímos na gargalhada. Sem motivo, sem razão. Mas apesar de tudo, sentia-me confortável ao seu lado.

O silêncio hospedou-se ao nosso lado. Nossos olhares cruzavam-se com muita frequência. Entre uma olhadela e outra, paravamos obrservando a lua. Éramos parecidos, eu acho.

Então, sob o luar, sua mão tocou levemente a minha. Eu podia sentir seu coração. E sabia, que ele sentia o meu, batendo forte, muito forte.

Abraçou-me carinhosamente. Retirando o cabelo que tampava meu rosto, e limpando as lágrimas, senti que sua mão tremia.

Mais uma vez nossos olhares cruzaram-se. Mas foi a última, porque não pude mais desviar. Algo prendia-me ali, naqueles olhos.

Aproximou-se de mim lentamente. Senti medo, ansiedade, dor. Mas tudo passou. Todas as incertezas encerraram-se quando senti seu rosto colado no meu.
Meu primeiro beijo. Meu primeiro romance que não era imaginação.
Me senti amada. Amada e feliz.

 

publicado por cinderelashakespeariana às 22:13
link do post | comentar | favorito
Domingo, 28 de Fevereiro De 2010

Capítulo 11- Um ar para dois

-Você é incrivel Cindy. A garota mais linda que eu já vi em toda minha vida- sussurrou Leo, enquanto seguíamos até a mesa novamente.
Ele aproximou-se de mim sorrindo. Senti um frio na barriga e o coração acelerando. Não estava pronta. Ainda era muito cedo para beijá-lo.
-Já volto- disse rápido.
-Mas Cindy...
-Sabia que entenderia. Será rápido.
Corri em direção a sacada. Precisava de ar. Muito, muito, muito ar.
Encostei-me na grade e fiquei lá observando a lua. Estava incrivel. Cheia e brilhante, destacando-se das pequenas estrelas que a cercavam.
-A lua está linda hoje, não é mesmo?- disse uma voz masculina desconhecida.
Era um "irmão urso".
-Está. E então, qual sua desculpa para vir vestido com isso aí?- disse em tom de sarcasmo, ainda olhando para o céu.
-Falta de tempo, dinheiro e uma mamãe coruja. E você?
-Se eu lhe contar, você jamais acreditaria.
Ele sorriu. Desviou seus olhos para a lua novamente. Ficamos em silêncio por um tempo.
-Está fugindo de alguém que quer lhe beijar também ou nossas semelhanças terminam na fantasia?- disse observando-o pela primeira vez.
Ele me olhou nos olhos. Nossa, era realmente encantador. Seu rosto era delicado, os olhos escuros e a pele branquinha. Era lindo. Ou isso ou o refrigerante que bebi não era apenas refrigerante.
-Na verdade eu não tenho um par, senhorita ursa fugitiva.
Nós rimos.

- E então, porque não quer beijá-lo?- disse ele em tom de psicólogo.

Ah! Como eu odiava psicólogos.

-Talvez porque ele seja o primeiro cara que não é da minha família a sair comigo.

-Ou talvez porque tenha medo de que as coisas saiam erradas.

-É, pode ser.

Ele sorriu com orgulho.

-Pare de rir da minha cara! Isso é trágico- disse eu, fingindo estar zangada.

-É mesmo? E porque é trágico?

-Enquanto eu estou aqui na rua conversando com um cara vestido de urso, há outro lá dentro de príncipe esperando por mim!

-Então porque ainda está aqui?

-Porque eu não quero voltar para lá.

-E isso é ruim?

-Aham.
Ele sorriu de novo. Então respirou fundo e me disse uma coisa que jamais saiu de minha mente.
-Não precisa fazer algo só para não desapontar alguém. Faça o que é certo. Vá até lá e faça o que é certo. Seja sincera consigo mesma e também com ele.
Senti que o menino urso estava com toda a razão. Fui seguindo para a casa lentamente. Meu coração voltou a bater forte.

 

tags:
publicado por cinderelashakespeariana às 17:23
link do post | comentar | favorito

Capítulo 10- Um príncipe encantado

Estávamos lá parados num canto da casa. Nada para ser dito. Nada para ser feito.
Apoiei minha mão na mesa em que estávamos. Uma música romântica tocava, e os casais formavam-se na pista. Leonardo me observava. Parecia aflito, como se esperasse para fazer algo. Foi então que sua mão deslizou sobre a minha. Senti um frio na boca do estômago. Não me atrevi a olhá-lo nos olhos.
Ele levantou-se de sua cadeira e parou bem diante de mim. Sua mão tocou meu rosto levemente, obrigando-me a encará-lo. Então, mais uma vez, segurou minha mão e me conduziu até a pista de dança.
Não pude dizer nada, e se isso fosse possível, tenho certeza que não o teria feito. Era um momento mágico, onde palavras não poderiam ser nada além de meras palavras. Sentia-me como uma princesa. Pela primeira vez em muito tempo, sentia-me amada e querida. Era como estar com Davi. Não precisava ser nada além do que era.
Ele me tomou em seus braços. Acomodei-me em seus ombros. Nos deixamos levar pela emoção da música. Não ousamos proferir uma única palavra sequer. Eu sentia seu coração bater. Foi então que tive certeza que eu realmente mexia com ele.

Dessa vez minhas pernas não tremiam. Sentia-me segura ali. Como se já tivesse sentido aquele perfume, visto aqueles olhos azuis e tocado aquela pele macia inúmeras vezes.
Esperava que não. Seria horrível saber que havia esquecido de algo tão incrivel.

tags:
publicado por cinderelashakespeariana às 17:03
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 26 de Fevereiro De 2010

Capítulo 9- No meio do caminho havia uma pedra

Catorze anos e nunca fui beijada. Grande coisa, pensei. Não sou a única, com certeza.

Talvez estivesse na hora de acontecer. Eu tomaria uma atitude naquela noite! Leonardo seria meu. Estava decidida.
Meu príncipe encantado apareceu novamente na porta, sorrindo. Estava lindo.
Minhas pernas tremiam mais que liquidificador velho. Procurei um banquinho para me sentar. Onde é que estava aquele diacho?!
No cantinho da loja. Alvo localizado. Se eu conseguisse caminhar seria ótimo. Droga!
Tentei caminhar devagar encostando-me no balcão. Assim ele não perceberia minhas pernas com vida própria.
Não sou muito ajeitada com as coisas. E o vidro de talco sobre o balcão estava contra mim naquele dia.
-Está tudo bem com você Cindy?- perguntou ele, com cara de preocupação.
Me abaixei um pouco, para que ele não notasse minha tremedeira. Minha mão escorregou pelo balcão e derrubou o pote de talco...Bem em cima da minha roupa!
-Que droga!- sussurrei.
-Falou comigo?- perguntou Leonardo.
-Ahn? Ah, não não.
Tentei limpar tudo aquilo rapidamente. Percebi que havia um pano e uma esponja numa prateleira do balcão. Isso serviria para tirar todo aquele talco de cima de mim.
-Tudo bem, você consegue! Vamos lá garota!- pensei.
Segui até a parede. Quando Leonardo virou-se para procurar o gel de cabelo, corri desesperadamente até a prateleira onde estavam os produtos.
-Você está bem Cindy? Parece meio tensa- alegou o príncipe.
-Tô ótima! Nunca me senti melhor!- disse sorrindo falsamente.
Esfreguei o pano sobre a fantasia. Pronto! Estava limpo! Agora precisava sair dali antes que Leonardo voltasse lá de dentro...
Saí correndo como uma doida varrida pela loja. Mais uma vez havia uma "pedra" no meio do caminho. No meio do caminho havia uma pedra. No meu caso, um banquinho.
Tropecei e cai bem no meio da loja. Acho que a cidade inteira parou para ouvir o barulho da minha queda. Leonardo correu assustado até mim.
-Você tá bem? Quantos dedos está vendo?- disse ele, colocando a mão na minha cara.
-Vinte e três?!- respondi meio zonza.
Por fim, fiquei sentadinha sem mover um músculo sequer até mamãe voltar e nos levar para a maldita festa.

tags:
publicado por cinderelashakespeariana às 17:08
link do post | comentar | favorito

Capítulo 8- Um par para a dama

Depois de intermináveis minutos de espera, mamãe e o cachinhos de ouro voltaram. Sorriam tanto que me senti a pessoa mais triste do mundo só de comparar nossas expressões.
Depois de fazer mistério, mamãe jogou uma fantasia imensa em cima de mim e pediu para q eu a vestisse. Fiz o que me foi ordenado.
Só então reparei diante do espelho qual era minha personagem. Um urso! Isso mesmo, um gordo e imenso urso com um laço cor de rosa na cabeça. Aquilo era bizarro.
Minha inspiração disse que eu não seria a protagonista da história, mas que a mamãe urso também era importante naquele conto. Papo furado, ele só queria tentar me deixar feliz para que eu fosse embora logo. Saquei isso na hora.
Bom, de qualquer forma eu não teria tempo para arranjar outra melhor ou pior que aquela. Seria uma ursa e pronto.
-Vou lá em casa pegar o carro e as maquiagens, então te levo para a festa- disse mamãe.
-Vou com você- tentei resistir, já sacando o joguinho dela.
-Não.. ahn, gostaria que você ficasse um pouco...- alegou o cachinhos de ouro corado.
Tudo bem, eu pensei. É a primeira vez que alguém da minha idade quer minha companhia. E a melhor parte é que esse alguém é o maior gatinho! Sem problemas, eu fico.
-Prazer, Leonardo!- sorriu estendendo a mão.
-Cinderela.
-Sério?

-Sim.
Não! Tô tirando onda com a tua cara.
-Vai em uma festa a fantasia então? - perguntou ele balançando a cabeça, como aqueles cachorrinhos que colocamos no carro.
-Não, eu costumo sair vestida de mamãe urso por aí.- disse em tom de brincadeira.
Nós rimos. Foi um momento de cumplicidade. Ele me olhou nos olhos e senti que já o conhecia.
Tinha olhos da cor do mar. Eram lindos, brilhantes, como os de Davi. Aquele pensamento me fez lembrar dele. Quanto tempo que não o via. Por onde andaria agora?
Mamãe jamais voltou a tocar em seu nome perto de mim. A última vez que o vira fora naquela manhã antes de minha família ir me buscar de sua casa. Sentia saudades. Sentia falta de suas leituras antes de dormir. Do jeito como se referia as mulheres. Do respeito que tinha pelas pessoas.
Então, depois de muito tempo lembrei-me do apelido que me dera quando criança. Cinderela Shakespeariana. A menina romântica e devoradora de obras do grande mestre da literatura. Como seria encontrá-lo de novo? Como será que ele reagiria se eu lhe contasse que depois de tantos anos ainda não havia desgostado dos livros e suas histórias doidas?
Senti um aperto no coração e um no braço. Leonardo falava comigo.
-Tá tudo bem com você, menina ursa?
-Tá sim.
Pensei em explicar-lhe sobre o que pensava e lhe contar como seus olhos lembravam-me meu primo. Mas percebi que não seria apropriado para o momento.
- Você vai fazer alguma coisa essa noite?- perguntei-lhe surpreendendo a mim mesma.
- Não. Nada além de ficar aqui sozinho, nessa sala escura e sombria.- disse ele sorrindo.
- Então, gostaria de ir comigo à festa?
- Acho que você está tomando meu lugar, mocinha. Então, quer ser acompanhada por um pobre homem abandonado?
- Adoraria, caro príncipe cachinhos de ouro.
Nós rimos. Então me senti leve. Leve como nunca havia me sentido antes. Tudo estava perfeito até então. Talvez até conseguisse a minha primeira dança naquela noite.

tags:
publicado por cinderelashakespeariana às 16:30
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quinta-feira, 25 de Fevereiro De 2010

Capítulo 7- O Cachinhos de ouro

Fui entrando sem muita esperança na lojinha. Mamãe parecia criança em loja de brinquedos, olhava tudo e soltava suspiros de emoção.
Janet, a dona do local, não estava por ali naquele dia. O seu filho, seu lindo, encantador e amado filho que estava atendendo.

Estava perdida dentro de uma fantasia de cavalo quando ele apareceu. Senti meu rosto corar. Que vergonha!
Mas como era um menino educado, conteve-se a um pequeno comentário.
"Nunca vi um cavalo tão fofinho antes. (risos)"
Bom, eu sabia que na verdade ele queria dizer:
"Que droga é essa afinal? Você parece uma porca vestida de cavalo. Tira isso antes que mais alguém te veja."
Tirei rápido. Estava louca para sair dali, mas metade de mim chorava e implorava para continuar e arrumar uma fantasia.
Mamãe pediu para que eu esperasse enquanto ela procurava outra fantasia melhor. Me sentei em um banquinho em frente ao balcão. Foi só então que prestei atenção no garoto.
Usava uma camisa polo vermelha e uma calça jeans bem bonita. Tinha leveza nas mãos. Movia as roupas de um lado para o outro como se estivesse dançando em um grande salão com seu par. Os cabelos eram cacheados e muito loiros. Aquilo me lembrou a velha história da Cachinhos de ouro...
Foi então que uma lâmpada bem grande acendeu em cima da minha cabeça, como acontece nos desenhos animados, quando alguém tem uma ideia. Eu já sabia o que usar na festa! Iria de cachinhos de ouro! Perfeito!
Fiquei tão animada com a ideia que fiz um esforço tremendo para perguntar à minha inspiração se havia mesmo a fantasia por ali.
Sabe o que ele disse?
Um "talvez" seguido de um sorriso de fada madrinha. Poderia ter apenas me dito sim ou não. Mas acho que ele era excêntrico demais para isso.
Me olhou bem, fez algumas caretas e disse para que eu esperasse. Então pegou mamãe pelo braço e os dois sumiram em uma porta atrás do balcão.
Fiquei ali abandonada. Já eram 18hs e 30 min, eu tinha pouco tempo para conseguir a roupa. A festa começava às 20 horas. Provavelmente essa era minha última chance. Torci para que tudo desse certo lá no "buraquinho da criatividade".

 

tags:
publicado por cinderelashakespeariana às 16:34
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 17 de Fevereiro De 2010

Capítulo 6- Que roupa?

Agora que eu já estava condenada a fazer parte da celebração da popularidade de Bety, Lili e Ana, precisava ao menos arrumar algo para vestir. Como minha mãe sempre dizia: "Uma mulher precisa estar bela até mesmo quando não quer estar". Não que ela fosse a rainha da beleza, ou algo do tipo, mas acho que estava certa. Aquele era o momento de conhecer novas pessoas, eu precisava causar boa impressão.
Confesso que até me animei com a ideia de ir vestida como minha xará, mas seria dificil arrumar uma boa fantasia para isso. Como andava bem ocupada com as tarefas escolares, deixei a cargo de minha mãe a missão de encontrar algo divertido para mim. Foi uma péssima ideia.
Ao chegar em casa, depois da escola, encontrei uma pilha gigantesca de fantasias sobre a cama. Entre elas estavam uma de pirata, alienigena, robô, espantalho, vaca e empregada doméstica (essa provavelmente era para ser usada em festinhas particulares, se me entendem).
Depois de chorar, gritar e me achar ridicula, e eu mamãe decidimos seguir até uma lojinha de fantasias que ficava por perto. Talvez a sorte estivesse por lá. De fato estava, mas não nas roupas, é claro.

 

publicado por cinderelashakespeariana às 15:57
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 16 de Fevereiro De 2010

Capítulo 5- Vida de cão solitário

Já era de se imaginar que minha vida social pouco habitada por seres humanos iria de mal a pior com mamãe no meu pé.
Sempre foi dificil fazer amizades na escola, ainda mais quando se tem uma senhora falante ao seu lado, contando como você corria sem roupa em volta da casa quando era pequena. Eu sempre quis um buraco para me enfiar dentro. Agora eu precisava de um vulcão gigante para esconder minha vergonha!

Por sorte geografia nunca fora uma matéria muito valorizada por aqui. Mamãe não ia à escola todos os dias da semana. Apenas segunda e quarta-feira, o que significava que eu poderia aproveitar o tempo sozinha para descolar amiguinhos.

Foi bem dificil no começo, no meio e no fim do ano. Ah, foi dificil nos feriados e fins de semana também arrumar algum amigo.
Mas no fim deu tudo certo (ou quase isso). Tudo começou quando as três amáveis vilãs do colégio resolveram dar uma festa. É claro que eu imaginava que não seria convidada, e me sentia MUITO feliz por isso.
Mas acho que mamãe não pensava como eu. Ao saber da comemoração que ia acontecer no hospício, digo casa, das irmãs Genoz, minha criadora resolveu dar uma de boa moça e exigir um convite para a filha amada.
Eu iria a festa de dia das bruxas. Uhul, estou super emocionada. Argh!

 

 

publicado por cinderelashakespeariana às 14:49
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
19
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

últ. comentários

arquivos

subscrever feeds

blogs SAPO


Universidade de Aveiro